Aldeia guarani em Maricá (RJ) recebe prêmio de moradia da ONU

A aldeia guarani de Maricá, Tekoa Ara Hovy, está entre os cinco vencedores do Scroll of Honour Award 2026, concedido pelo Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-Habitat). A premiação reconhece contribuições para a habitação adequada e o desenvolvimento urbano sustentável.

Segundo a ONU-Habitat, a iniciativa brasileira foi selecionada entre 101 candidaturas de diferentes regiões do mundo. A edição de 2026 também premiou propostas de Myanmar, Paquistão, Tunísia e Reino Unido.

Localizada no Espraiado, em Maricá, no Rio de Janeiro, a aldeia oferece assentamento permanente a uma comunidade guarani mbyá. Treze famílias se mudaram para o local no início de 2025, após viverem em um parque estadual sem regularização fundiária e serviços básicos.

aldeia guarani de Maricá

Reconhecida como a primeira aldeia indígena do Brasil estabelecida por um município, Tekoa Ara Hovy foi desenvolvida com participação comunitária e investimento municipal, segundo a ONU-Habitat. O prêmio também destaca diferentes abordagens à moradia, da construção com materiais locais a programas de habitação acessível.

Tekoa Ara Hovy e o assentamento da comunidade guarani mbyá

Na aldeia guarani de Maricá, a Tekoa Ara Hovy, as moradias tradicionais estão acompanhadas por equipamentos voltados a diferentes necessidades da comunidade. O conjunto inclui uma escola bilíngue, além de espaços de atendimento e convivência.

Entre as estruturas coletivas estão um posto de saúde, um centro cultural e uma cozinha comunitária. Esses equipamentos fazem parte do assentamento descrito pela ONU-Habitat, que também reúne as casas tradicionais.

A infraestrutura inclui abastecimento de água e iluminação solar nas áreas comuns. Segundo a ONU-Habitat, as práticas construtivas tradicionais estão integradas à estrutura do assentamento.

Prêmio da ONU-Habitat e desafios globais da moradia adequada

Criado em 1989, o Scroll of Honour Award reconhece pessoas e instituições que contribuem para a habitação adequada, a urbanização sustentável e a melhoria da vida urbana. O prêmio também se relaciona à Nova Agenda Urbana e à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

O World Cities Report 2026 estima que até 3,4 bilhões de pessoas não têm moradia adequada. O dado dimensiona a questão habitacional abordada pela premiação da ONU-Habitat.



Já o Relatório Global do ODS 11 de 2026 aponta que mais de 1,1 bilhão de pessoas vivem em assentamentos informais e favelas, um aumento superior a 130 milhões desde 2015. O tema do Dia Mundial do Habitat de 2026 foi “Habitação Adequada para Todos”, com foco na moradia como base de cidades inclusivas, sustentáveis e resilientes.

Iniciativas premiadas em Myanmar, Paquistão, Tunísia e Reino Unido

Em Myanmar, a Housing NOW constrói moradias acessíveis e infraestrutura comunitária para populações afetadas por conflitos, deslocamentos, pobreza e desastres. A organização emprega moradores das comunidades atendidas e distribui manuais ilustrados para construtores locais.

O método da Housing NOW combina bambu disponível localmente, conhecimento tradicional e pré-fabricação: componentes são preparados com gabaritos portáteis e montados no local. A técnica foi usada em casas, escolas, creches, centros comunitários e instalações médicas, inclusive para comunidades atingidas pelo terremoto de 2025.

No Paquistão, a Punjab Housing and Town Planning Agency recebeu o prêmio pelo programa Apni Chhat Apna Ghar, lançado em 2024. A iniciativa busca viabilizar 100 mil casas e apartamentos acessíveis na província, oferecendo financiamento sem juros a famílias de baixa renda que já possuem terreno, mas não têm recursos para construir; inscrições e parte da execução são geridas digitalmente, com apoio do Bank of Punjab e de instituições de microfinanças parceiras.

Na Tunísia, o especialista em construção sustentável Abdelmalek Ghannem foi reconhecido por fundar, em 2009, a Société Industrielle de Blocs (SOIB), em Bizerte. A empresa produz blocos de terra compactada e estabilizada, com resíduos de pedreiras e mineração, que exigem menos cimento e argamassa do que a alvenaria convencional; segundo a ONU-Habitat, o método já foi aplicado em mais de 100 projetos no país, e a SOIB também capacita profissionais da construção.

No Reino Unido, o prefeito de Londres, Sadiq Khan, foi premiado por iniciativas de habitação acessível e sustentável e de desenvolvimento urbano inclusivo e resiliente ao clima. Em janeiro de 2026, lançou o Key Worker Living Rent, programa que pretende iniciar a construção de ao menos 6 mil moradias de aluguel controlado até 2030, com valores vinculados à renda de profissionais como enfermeiros, professores, cuidadores e motoristas de ônibus.



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